Consumo




Valiosos ‘tiozões’


Uma paixão. Um hobby que atrai milhares de brasileiros. Ao mesmo tempo, um negócio que movimenta milhões de reais no País. O antigomobilismo, a arte de restaurar e preservar a essência e a beleza de carros antigos, está com o mercado aquecido no Brasil, e os valores dessas raridades são os mais variados.

Não existe uma tabela de valores para os carros antigos. Quando se trata de antigomobilismo, quanto mais original e menos usado, maior o valor agregado. Mas o preço final é peculiar de cada negociação.

Num mercado em que a exclusividade é determinante, o antigomobilismo ficou aquecido na pandemia. Os veículos antigos para colecionadores movimentaram R$ 6,8 milhões em importação em 2020. Os dados são da LogComex, startup especializada em inteligência de dados para importação e exportação.

Proprietário da Salvajoli Veículos Antigos, em Mirassol, Evandro Salvajoli, 41 anos, explica que atualmente a grande procura é por veículos dos anos 1970, 1980 e 1990. “Está difícil até de atender a demanda. A faixa etária de quem compra nossos carros é a que viveu a juventude na era dos Gols GT, GTS e GTI, ou do Passat TS, principalmente. Esses são os mais procurados atualmente, porque ou são carros que eles queriam naquela época e não puderam comprar, ou porque querem experimentar de novo carros que marcaram sua juventude”, diz.

Salvajoli foi um dos que enxergaram o mercado promissor do antigomobilismo. Ele tinha uma oficina automotiva, posteriormente se especializou em restauração de veículos antigos e hoje tem como principal atividade a compra e venda de veículos antigos. 
“Trabalhamos com a linha premium, com baixa quilometragem. Encontramos carros com menos de mil quilômetros rodados, já chegamos até a achar um veículo com 20 quilômetros rodados apenas. Nosso mercado está geralmente nas grandes cidades. Vendemos para Bahia, São Paulo, Espírito Santo, temos clientes em todo o Brasil”, explica.

R$ 300 mil num ‘golzinho’
Os valores dos veículos são os mais variados. Um Gol GT 1986, todo original e com menos de 4 mil quilômetros rodados, pode ser vendido, por exemplo, por R$ 300 mil, mesmo valor de um zero quilômetro de luxo, como um Jaguar e modelo E-Pace R-Dynamic. “Não há um padrão, cada caso é um caso”, explica Evandro Salvajoli.

Memória afetiva
Para Alexandre Perin, o alto valor dos veículos antigos conservados também está ligado à memória afetiva. “Quando a pessoa vai ficando mais velha e está com situação financeira estável, vai em busca do carro que sempre quis ter quando era mais nova. Quando eu era jovem, as pessoas exibiam um Gol GTI quase como um troféu”, recorda. 

A frota particular de Evandro Salvajoli
Quem trabalha com antigomobilismo, obviamente, gosta de ter seus próprios carros antigos também na garagem. No caso de Evandro Salvajoli, a garagem é na verdade um galpão: são 40 carros na coleção. 

O museu particular fica em um barracão devidamente preparado. Todos os carros têm visual de zero quilômetro e são protegidos com capas feitas individualmente nas medidas de cada automóvel.

O xodó da coleção é um Maverick vermelho 1975. “Comprei esse carro quando tinha 16 anos de idade e fiz questão de ficar com ele até hoje. Não o vendo por nada”, emociona-se.

Na coleção de Salvajoli existem outras raridades, como um Passat com apenas 17 quilômetros rodados. “Procuro manter carros exclusivos e mais original e menos rodado possível”, afirma. 

‘Era o carro que meu pai me levava na escola. Reencontrei num leilão’
A paixão do empresário Alexandre Perin, 46 anos, por veículos começou ainda na infância. E depois de passar a adolescência admirando principalmente os carros antigos, começou a praticar antigomobilismo aos 18 anos de idade. 

“Sempre preferi ter carros mais antigos do que novos. Comecei minha paixão pelos Opalas. E aos poucos fui conhecendo esse universo do antigomobilismo”, conta.

O amor pelos carros o levou a encontros de carros antigos e à amizade com outros colecionadores. “Era um dos poucos jovens que gostavam de antigomobilismo. A maioria era mais velha. Fui fazendo amizade com eles até que me convidaram para ajudar a organizar os eventos.”

Perin atualmente é presidente do Clube Pioneiro, fundado há 22 anos e que atualmente conta com 50 membros. “Fazemos encontros semanais e um grande evento anual, que não estão acontecendo agora por conta da pandemia. São momentos de pessoas que compartilham a mesma paixão, e isso que é bacana.” 

Alexandre Perin conta com uma coleção particular de 20 carros. O preferido é uma Rural Willis, ano 1973, com 60 mil quilômetros rodados. “Era o carro que meu pai me levava na escola. Achei ele em um leilão muito tempo depois e comprei. Esse não será vendido jamais”, disse. 

Omega com perfil no Instagram
Quase que unânimes entre apreciadores do antigomobilismo, Opalas e Omegas têm legiões de fãs. Basta fazer uma busca na internet por “clube do Opala” ou “fãs de Omega” para observar a quantidade de grupos com admiradores desses dois ícones da indústria automobilística. 

O Omega CD 1993 modelo 1994, do advogado Thiago Sansão Tobias Perassi, 38 anos, tem até perfil no Instagram. No @omegasnotes ele conta o dia a dia do veículo e compartilha também materiais sobre o carro. “É uma forma de dividir minha paixão e conhecimento sobre o carro com outros fãs”, explica.

Ter um Omega sempre foi um desejo dele para lembrar da adolescência. “Quando tinha meus 12 anos, o Omega veio como um carro que mudou conceitos. Meu pai teve seis”, lembra.

O Omega CD 1993 mantém tudo original, inclusive o toca-fitas da época. “Tenho fitas só para ouvir nele. Gosto de dirigi-lo ouvindo rock clássico dos anos 1990. Para mim é como viajar no tempo”, completa o advogado. 

Fordinho: ícone da família
O Ford T não é apenas um carro, mas uma marca da revolução da indústria automobilística mundial. Quando dirige pelas ruas de Rio Preto, o empresário Wagner Alberto Malagutti, 50 anos, carrega esse símbolo mundial e com ele parte do legado de Henry Ford, o inventor do Ford T. 

O Ford T se tornou ícone nos anos 1920. Mais de cem anos depois, Malagutti mostra porque o carro ainda tem seu charme. Ele possui em sua garagem um Ford T 1924 e um Ford 1929. 

“Esses carros chamam muito mais atenção do que as máquinas superpotentes de hoje. Quando ando com ele, não tem quem não pergunte como é dirigir esses carros”, diz.

Manter esses dois carros para ele significa conservar as boas lembranças vividas ao lado do pai na infância. “Meu pai tinha esse Ford 1929 desde que eu era criança. Praticamente aprendi a dirigir nesse carro. Fui crescendo e cada dia ficando mais apaixonado por esse carro. Hoje ele também virou uma atração nos encontros de família.”

Apesar da idade, os dois continuam rodando perfeitamente. “Já fui com eles para Aparecida e outras cidades para encontro de carros. A experiência é ótima”, garante.

Fotos: Elton Rodrigues




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