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Modelo de trabalho híbrido já é realidade em grandes empresas de Rio Preto



Foi-se o tempo em que os trabalhadores frequentavam o escritório cinco dias por semana (às vezes, seis) e não discutiam saúde mental no trabalho. 
Levantamento realizado pela consultoria NTT Data Corporation com 3,2 mil profissionais de empresas de grande porte, localizadas em dez países – inclusive no Brasil –, aponta que 97% dos entrevistados querem um modelo de produção diferente do presencial. 
Impulsionados pelas restrições sanitárias devido à Covid-19, os modelos híbrido e remoto já são realidade em empresas rio-pretenses e devem continuar mesmo com a estabilização da pandemia.
Uma dessas empresas que tornaram a rotina de suas equipes mais flexível foi a Unimed Rio Preto. Desde o segundo semestre de 2021, a cooperativa médica adotou mudanças estruturais físicas e tecnológicas que afetam cerca de 500 colaboradores da área administrativa, que não têm contato direto com os beneficiários. 
Entre essas mudanças estão o ambiente de trabalho rotativo, ou “open space”, com espaços não delimitados e equipamentos móveis, como notebooks; e treinamentos da Universidade Corporativa 100% concentrados na modalidade de Educação à Distância (EaD).
Felipe Marim, gerente de Desenvolvimento Humano e Organizacional da Unimed, afirma que, além de estar alinhado com as melhores práticas em gestão de pessoas, esse formato trouxe benefícios, tanto para a corporação quanto para os próprios profissionais, como redução de custos, maior comodidade, ganho de tempo, atratividade de talentos, qualidade de vida, eficiência operacional, entre outros. “Recebemos vários feedbacks de agradecimento referentes a essas adequações, pois os funcionários se sentem engajados”, diz ele.

 

Feedbacks positivos 
O engajamento também é um indicador importante em empresas de diferentes segmentos de atuação na cidade. É o caso da Shift.
Segundo Cristina Bertolino, diretora de governança e DHO da empresa de tecnologia, é feito um monitoramento frequente da satisfação dos colaboradores, por meio de escutas ativas, pesquisa de clima organizacional e um instrumento chamado “Happiness Radar”.
“Uma pesquisa interna mostrou que a porcentagem de pessoas motivadas (56,69%) e engajadas (40,94%) foi bastante superior a de colaboradores que se sentiram ansiosos (25,98%) ou cansados com a sensação de trabalho ininterrupto (24,41%)”, observa.
A Shift adotou o modelo híbrido em 2020 para todos os seus 240 colaboradores – exceto os profissionais de limpeza. Há áreas onde 90% do time atua de forma totalmente remota. Já em outras, o home office é adotado uma vez por semana ou de uma a duas vezes ao mês. Em 2022, as equipes também aderiram à jornada flexível.  
Alguns procedimentos e ações já existiam no dia a dia da empresa e facilitaram a adaptação ao novo cenário, como o programa “Jeito Shift de Cuidar”, que existe desde 2017 para ajudar os colaboradores a manter os cuidados com o corpo e a mente, e o processo de integração dos novos colaboradores, que recebem todos os equipamentos necessários para o desenvolvimento de suas funções e o entendimento da cultura e dinâmica da empresa.
Adicionalmente, foi disponibilizado um auxílio home office, visando trazer o conforto do escritório para casa e apoiar com os custos de energia elétrica, internet e demais despesas do dia a dia de trabalho. Em eventos e atividades corporativas que demandam a presença física, o deslocamento, a acomodação e a alimentação de quem viaja também são custeados pela Shift. “Com isso, temos feito um investimento anual de cerca de R$ 500 mil”, calcula Cristina.




Ampliação do quadro de colaboradores no mesmo espaço físico
A Setpar Empreendimentos, por sua vez, viu na tendência de mercado uma oportunidade de crescer e se desenvolver ainda mais. De acordo com o diretor administrativo e financeiro da empresa, Ricardo Tarraf, antes da pandemia, cogitava-se um novo imóvel para ampliação do espaço físico da sede, mas, com o trabalho híbrido ou totalmente remoto, foi possível aumentar o quadro de colaboradores sem a necessidade desse investimento.
Outro aspecto relevante foi que a empresa mudou drasticamente a forma de relacionamento com o cliente. Em 2019, os atendimentos presenciais correspondiam a cerca de 32% do total, e o autoatendimento, a 16%. Hoje, o atendimento presencial passou a 1%, e o autoatendimento, a 34,39%. “A pandemia mudou a forma de pensar das pessoas e aumentou a aceitação do uso de tecnologias”, afirma Tarraf.
A Setpar investiu mais de R$ 1 milhão em tecnologia, segurança, medicina do trabalho e reestruturação do prédio. Além de adquirir notebooks para todos os colaboradores, aprimorou os programas de segurança da informação, contratou novos sistemas de comunicação interna e aprimorou processos e ferramentas, como assinatura digital de contratos, atendimento omnichannel (WhatsApp e outras redes sociais), aplicativo para autoatendimento, entre outros. 
Os ganhos também são vistos pelas equipes com funções administrativas e transversais, como contabilidade, controladoria e desenvolvimento de tecnologia, que foram contempladas com o novo modelo de trabalho. Pesquisa interna da Setpar mostra que 73,7% dos mais de 100 entrevistados considera ter aumentado sua qualidade de vida trabalhando em casa; 57,7% acredita estar mais produtivo; e, caso fosse opcional, 47,1% prefeririam o trabalho híbrido.  
“Esse tipo de trabalho possibilita à empresa contratar talentos de outras cidades e até de outros estados, não se limitando apenas às proximidades da sede e das filiais”, argumenta Tarraf. “Uma outra visão que temos, e que impacta diretamente em nosso planejamento de crescimento urbano, é que a relação de consumo das pessoas está mudando. Muitas estão saindo de grandes centros, mudando de apartamentos pequenos para casas maiores, com espaço para escritório. As empresas precisam se adaptar a essa nova realidade.”




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