Rio Preto




Mestres do atendimento


Atender é uma arte e Leandro Gomes da Silva e Edson Crispim dominam essa arte; 'Para mim, todos que atendo hoje são únicos', diz Leandro

Atender é uma arte. É vocação. Não basta querer. E, para a maioria dos negócios, o atendimento de excelência pode ser o grande diferencial entre o sucesso e o fracasso. Mais do que levar o trabalho a sério e ter um bom entendimento do produto, é preciso entender o ser humano. Ter empatia e colocar-se no lugar do cliente.

Todas essas características vêm naturalmente para Leandro Gomes da Silva, garçom do restaurante Mirai. Algo que nem ele mesmo sabia que tinha. Leandro é de uma cidadezinha no interior de Pernambuco. Até os 18 anos, viveu com a família em uma propriedade rural e seu único trabalho havia sido na agricultura de subsistência.

Em busca de mudança, resolveu deixar Pernambuco e vir para o estado de São Paulo. Soube por amigos que os proprietários do Mirai, com restaurantes já em Ribeirão Preto, estavam se preparando para abrir um novo estabelecimento em Rio Preto e precisavam de funcionários.

“Tive a curiosidade, a vontade de mudar do interior do Pernambuco, de uma cidade de 40 mil habitantes, bem simples, no agreste. Eu era o que o pessoal chama de ‘bicho do mato’. Tímido. Muito acanhado. Chegava alguém lá em casa e eu ficava escondido. Parecia que eu não existia. Mas criei coragem, falei com meus pais e, por curiosidade, resolvi vir para o Mirai”, recorda.

O começo não foi fácil. A timidez pesava. “Eu ficava muito de cabeça baixa, não tinha coragem de olhar no olho das pessoas. Ficava sempre acanhado nos cantinhos. Comecei, por 12 dias, na cozinha, lavando louça. Aí a patroa pediu para que eu começasse a atender, a levar entradas, bebidas. Fui me soltando. Os clientes perguntavam de onde eu era. Começava ali uma nova história”, conta.

Assim nascia o Léo, como é conhecido pelos clientes do restaurante. Um Léo que, como ele mesmo descreve, conversa com todos, tem muitos amigos. E que descobriu um dom.

“Percebi que atender era a minha vida. Atender pessoas, para mim, é um prazer imenso. A melhor coisa que o ser humano pode fazer é conseguir entender o outro, surpreender”, diz Léo, há 12 anos em Rio Preto como garçom do Mirai.

Um de seus segredos é ser bastante observador. Ele afirma que aprende olhando tudo, prestando atenção nas pessoas, no jeito que elas se movimentam. “Prestar atenção para conseguir levá-las para um caminho melhor. Às vezes, elas não conhecem esse caminho e é bem gratificante.”

Léo garante que sabe o nome de todos os seus principais clientes, os pratos preferidos e até a data de aniversário. “Se você tem um amigo, se você faz um amigo hoje, você não quer esquecer dele jamais e se preocupa com os detalhes. E quando você se preocupa com detalhes, as pessoas se tornam únicas. E você não esquece de pessoas únicas. Para mim, todos que atendo hoje são únicos”, diz.

 

Sensível e espontâneo

A arte de atender também é parte de Edson Crispim de Araújo, que há dez anos conquista os clientes do Confraria do Espeto. Com 44 anos, Crispim, como é conhecido pelos frequentadores do bar, já fez um pouco de tudo, mas sempre em áreas de relacionamento com o público. Já foi office-boy, carteiro, vendedor, chapeiro, atendente. “Falo que, se você consegue vender consórcio e plano funerário, você vende qualquer coisa.”

Com perfil bastante expansivo, a entrada no Confraria do Espeto foi ato do destino. Amigo dos proprietários, um dia ele foi ajudar no atendimento do bar por causa de um funcionário que havia faltado. De lá não saiu mais e ainda trouxe com ele clientes e amigos de trabalhos anteriores que se tornaram frequentadores do bar.

“Não sei, tem hora que até eu me assusto. Meu jeito. As pessoas falam que cada um tem uma estrela, né? A minha deve ser para isso. Então, nem eu sei dizer”, afirma, tentando encontrar uma explicação para o seu jeito irresistível de encantar os clientes.

Quanto ao atendimento, Crispim revela que o segredo é estar sempre bem, não deixar que a vida lá fora atrapalhe o trabalho. “Eu procuro ser sincero, espontâneo, tento deixar meus problemas pessoais do lado de fora e trazer para cá o que é relacionado ao bar. As pessoas têm que ver esse meu lado, não o outro. No dia a dia também sou desse jeito.”

Outro fator é ter a sensibilidade de entender o que o próprio cliente espera do atendimento. “É realmente se adaptar ao cliente. Alguns dão brechas, outros não. Então, você está sujeito a tudo. Mas sempre abordo com um sorriso no rosto”, revela.

A preocupação é tanta que Crispim chega a entrar ele mesmo em contato com os clientes costumeiros da casa que estão há algum tempo sem aparecer. Manda mensagem, procura saber se está tudo bem, se precisam de algo. “Quando o cliente não fica satisfeito com você ou com a casa, a tendência é ele não voltar. A gente tenta fazer isso não acontecer.”

O garçom se espelha nos outros para entender cada vez mais sua profissão, aprender coisas novas e corrigir falhas. “Sou muito atento a isso. Vou a restaurantes, cafés, almoço fora quase todo dia e reparo muito nisso. Fui me moldando para entregar o melhor.”




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