Economia




Economista Ricardo Amorim fala sobre expectativas de mercado, oportunidades e luta contra a corrupção


Otimismo. Essa é a palavra que o economista Ricardo Amorim usa para definir a realidade econômica e o momento no Brasil. “A economia brasileira voltou a crescer há dois anos e meio”, afirma o apresentador do Manhattan Connection, considerado uma das pessoas mais influentes do Brasil e influenciador número um do LinkedIn no Brasil desde 2016.

“Historicamente, depois de todo período de baixa, o Brasil voltou a crescer com bastante força. Estamos nesse momento de retomada. As pessoas ainda estão pessimistas porque a memória dos momentos ruins pelos quais passamos ainda está muito recente, mas logo isso deve mudar”, afirmou Amorim durante palestra promovida pela Unimed Rio Preto.

Na ocasião, o economista falou sobre a importância de um setor de Governança, Riscos e Compliance nas instituições e o impacto da corrupção nas empresas, temática que envolve toda a sociedade e que tem sido muito debatida nos últimos anos. “A corrupção é um problema de todos nós e algo que passa por todas as nossas ações.”

À É Rio Preto, Amorim tratou sobre os principais temas que têm despertado a curiosidade dos brasileiros e movimentado as rodas de discussão. Economia, reformas estruturais, corrupção e governo Bolsonaro foram pauta.

É Rio Preto: Quando a economia brasileira vai voltar a crescer de verdade?
Ricardo Amorim: A economia brasileira voltou a crescer há dois anos e meio. Com exceção do primeiro trimestre deste ano, todos os anteriores dentro desse intervalo foram de crescimento. Mas por que a maior parte das pessoas não tem essa percepção de crescimento? São duas razões. A primeira delas é que o crescimento veio em um ritmo muito lento. O segundo fator é que esse crescimento veio depois de uma queda muito grande. Além disso, ainda temos um volume imenso de pessoas sem trabalho ou com emprego de qualificação muito ruim. As pessoas focam muito na taxa de desemprego, na faixa de 11 milhões, 12 milhões de brasileiros, mas a situação é pior que isso. Por isso que a sensação continua sendo tão ruim. Mas temos o outro lado da história. Já começamos a ver alguma aceleração. Nos últimos três meses, foram gerados 1,2 milhão de empregos formais. Está muito longe de resolver o problema, mas, obviamente, para as famílias dessas pessoas, considerando a média de quatro pessoas por família, temos cinco milhões que tiveram suas vidas transformadas para melhor só no último trimestre.

É Rio Preto: Como os empresários podem se preparar para a mudança no mercado e aproveitar as oportunidades que vão se apresentar? E esse é o momento de investir?
Amorim:
Só consegue aproveitar as oportunidades quem está preparado quando elas se apresentam. Mais que isso, precisamos criar oportunidades, não apenas esperar que elas apareçam. Isso é importante. Pelo ponto de vista dos empresários, existe uma chance grande de a economia brasileira acelerar seu crescimento a partir do ano que vem. Mas só vai aproveitar isso quem, de fato, estiver pronto na hora que acontecer. Mas é preciso se preparar conscientemente, porque, se demorar um pouco mais para a recuperação vir - por exemplo, por conta de uma nova recessão global -, a empresa não pode estar numa situação vulnerável.

É Rio Preto: Completamos dez meses de governo Bolsonaro. Como o senhor avalia o desempenho do presidente e de sua equipe? Quais os principais erros e acertos?
Amorim:
Geralmente, Bolsonaro foca nas questões menos relevantes e não dá a devida atenção às questões que têm mais impacto na economia brasileira. O fato é que a agenda econômica do governo brasileiro, a parte importante dela, tem avançado e avançado muito. Em particular, a aprovação da reforma da previdência, que é um divisor de águas no Brasil. Sem essa reforma, o Brasil caminharia para uma crise fiscal grave nos próximos anos e para mais uma crise econômica muito séria. Além disso, houve um avanço importante que é a Medida Provisória (MP) da Liberdade Econômica. E parece que o governo vai ter condições de avançar também com uma Reforma Administrativa e Tributária, fundamentais para aumentar a eficiência e a competitividade da nossa economia.

É Rio Preto: Como o senhor avalia nossa imagem lá fora e o impacto na atração de investimentos?
Amorim:
No final do ano passado, após as eleições, houve uma euforia da classe empresarial em relação às perspectivas quanto ao Brasil. Tanto da brasileira quanto da estrangeira. Quando começou o ano, isso se desfez. Fundamentalmente em função do Presidente Bolsonaro ter ligado sua metralhadora de tweets contra tudo e contra todos, incluindo o Congresso Brasileiro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Foi quando se criou a percepção de que o Brasil não conseguiria avançar na agenda econômica, incluindo a reforma da previdência. Isso fez com que a economia, que crescia a oito trimestres, parasse de crescer. Já no segundo trimestre, ficou claro que a agenda avançaria, sim, e a economia voltou a crescer. Temos empresas estrangeiras que continuam interessadas em voltar a investir no Brasil, mas ainda na expectativa de ver avanços maiores na agenda econômica. Por outro lado, a cobertura da mídia internacional em relação ao Brasil não tem sido focada na economia. Ela tem sido focada na agenda de costumes do governo brasileiro, que é vista como retrógrada. Então, o que vemos da imprensa internacional não reflete como o investidor internacional está vendo o Brasil. Mas pode acabar contaminando.

É Rio Preto: Passada a Reforma da Previdência, quais devem ser os próximos passos do governo para tentar recuperar a economia brasileira? A Reforma Tributária?
Amorim:
A Reforma Tributária é fundamental para aumentar a competitividade da economia brasileira, e é um assunto que vem se arrastando há muito tempo. Ela deve gerar uma economia substancial para o Brasil. As pessoas focam muito nos primeiros dez anos, que pelo projeto original deve gerar uma economia na faixa de R$ 800 bilhões, mas, além disso, temos um projeto adicional que deve reincluir cidades e municípios. Quando somarmos tudo, a economia deve subir para a faixa de R$ 1 trilhão. Só que essa economia vai crescendo ao longo do tempo. O resultado disso tudo é que a gente deve economizar na faixa de R$ 4 trilhões em 20 anos. Assim, o Brasil vai passar a ter, gradualmente, dinheiro para investir no que não tem. Saúde, educação, segurança, saneamento, infraestrutura. Tudo isso vai melhorar muito. De uma hora para a outra? Não, vai crescendo ao longo do tempo. Significa que essa reforma é a ideal? De jeito nenhum. Mas significa um avanço gigantesco pela economia e pela redução brutal de privilégios.temos um projeto adicional que deve reincluir cidades e municípios. Quando somarmos tudo, a economia deve subir para a faixa de R$ 1 trilhão. Só que essa economia vai crescendo ao longo do tempo. O resultado disso tudo é que a gente deve economizar na faixa de R$ 4 trilhões em 20 anos. Assim, o Brasil vai passar a ter, gradualmente, dinheiro para investir no que não tem. Saúde, educação, segurança, saneamento, infraestrutura. Tudo isso vai melhorar muito. De uma hora para a outra? Não, vai crescendo ao longo do tempo. Significa que essa reforma é a ideal? De jeito nenhum. Mas significa um avanço gigantesco pela economia e pela redução brutal de privilégios.

É Rio Preto: Em Rio Preto, o senhor tratou sobre desenvolvimento dos negócios, governança e compliance. O compliance está cada vez mais no centro da discussão do mercado empresarial?
Amorim:
Há uma série de estudos que mostram que empresas que são mais cuidadosas no seu sistema de governança e compliance para evitar fraudes e que agem de forma correta, no longo prazo, têm resultados muito melhores. Às vezes, algumas empresas optam por atalhos, caminhos mais curtos que me parecem formas de aumentar a rentabilidade em curto prazo sem seguir o que deveria ser o cumprimento estrito das leis, e isso acaba custando muito caro a médio e longo prazo. Usando uma frase do (investidor e filantropo americano) Warren Buffet, de todas as decisões que qualquer executivo tem de tomar, a mais importante é não colocar o ativo mais importante de qualquer empresa em risco, que é a sua credibilidade.




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