Consumo




Spirituallis


Foi com um brinde entre o casal de empresários Aline e Paulo Girardi, sob as videiras da Fazenda Amazonas, localizada a apenas cinco minutos de Rio Preto, que a É RIO PRETO conheceu e experimentou um dos vinhos mais cobiçados por enófilos - o Spirituallis, fabricado a partir de uvas Cabernet Sauvignon e Shiraz, cultivadas na propriedade.

Videiras em Rio Preto? Realmente, é difícil acreditar que uma região de clima tão seco e quente como o noroeste paulista ofereça condições adequadas para a produção de vinhos de qualidade. Em geral, uvas com essa finalidade são cultivadas em áreas de clima ameno e temperaturas mais baixas. Paulo e Aline, no entanto, resolveram pagar para ver. E deu certo! 

“Tanto a Aline como eu sempre gostamos muito de vinho. Há 15 anos, resolvemos arriscar e ver se era possível cultivar uvas e, a partir delas, produzir vinho de qualidade em Rio Preto. Para a maioria, a ideia era impossível, mas fomos teimosos. Adquirimos videiras Cabernet Sauvignon e Shiraz, importadas da França”, relembra Paulo.

As primeiras mudas foram plantadas numa área de cerca de meio hectare da fazenda. “Cada videira levou quatro anos para começar a produzir. Foi um exercício de paciência”, comenta Aline. Já para produzir o primeiro vinho, foram pelo menos 10 anos de espera. Desde então, a produção se fortaleceu, foi se aprimorando, e hoje, segundo o casal, vários enófilos, de várias partes do País, já provaram e aprovam o Spirituallis.

Da colheita ao rótulo
Antes do êxito, porém, Paulo e Aline tiveram de lidar com alguns percalços. A princípio, tentaram, sem sucesso, cultivar o vinhedo de forma orgânica. Porém, o manejo exigiu um cultivo mais delicado das uvas. Para chegar à equação perfeita, toda a plantação é irrigada e passa por um processo rigoroso de manutenção até à data da colheita. A safra das uvas na Fazenda Amazonas é anual.

“Todos os meses, adubamos, irrigamos, podamos, realizamos a desbrota das videiras e penteamos cada cacho, desbagaçando cada um (processo no qual são tiradas algumas frutas do cacho para que cresçam de forma uniforme)”, detalha Aline.

Entre agosto e setembro, ocorre a colheita. Também um processo que envolve muito cuidado. “Colhemos de madrugada, bem antes da temperatura começar a subir. Todas as uvas são acondicionadas em um caminhão refrigerado que as leva para a vinificadora, onde o processo de vinificação dura, em média, entre 30 e 45 dias”, explica Paulo.

A vinificação ocorre em Caldas, no estado de Minas Gerais, onde, por meio de uma parceria com a Epamig, o vinho é fabricado seguindo um processo artesanal de produção que envolve o esmagamento das uvas, a fermentação da pasta, a decantação, nova fermentação e filtragem.

“O Spirituallis fermenta em barris de carvalho, também importados da França”, detalha o empresário. A escolha por esse tipo de maturação se deve ao resultado, que intensifica a coloração e o sabor do vinho, além de conferir um toque amadeirado. “A porosidade da madeira facilita a oxigenação gradual do vinho, o que intensifica a intensidade dos taninos, chegando ao resultado final que queremos.”

Depois de pronto, o vinho é engarrafado, rotulado e as garrafas são trazidas para as adegas da Fazenda Amazonas, onde são acondicionadas em posição horizontal e abertas somente em ocasiões especiais. “Não comercializamos, somente presenteamos os amigos”, avisa Paulo.

Questionado sobre a qualidade do Spirituallis, Girardi parafraseia a baronesa Philippine de Rothschild, proprietária da vinícola francesa Château Mouton Rothschild, considerada uma das melhores do mundo. “Um bom rótulo não é garantia de sucesso. Fazer vinho é relativamente fácil, como dizia Philippine. O difícil são os primeiros 200 anos”, diz, entre gargalhadas. “Hoje temos um bom vinho, diferenciado, mas sempre se pode melhorar, e esse é um dos nossos objetivos.”

Meta de 2 mil garrafas por safra
Com produção de aproximadamente 700 garrafas por safra, só provam o Spirituallis amigos do casal. A bebida ainda não está à venda. A comercialização está nos planos de Paulo e Aline Girardi, mas a princípio, apenas para quem adquirir um terreno no loteamento que será construído nos arredores do vinhedo Amazonas, a partir de 2022. 

O “start” para aumento da produção já foi dado. Mais 0.7 hectare foi incluído na propriedade para receber novas videiras. “Nossa pretensão é chegar a 2 mil garrafas de vinhos por safra. Queremos que aqueles que vierem morar no condomínio tenham a oportunidade de ver o dia a dia do vinhedo e comprar uma garrafa de um bom vinho a um preço acessível, exclusivo para quem viver aqui”, idealiza Paulo.

Entre casas e vinhos
O projeto de um loteamento residencial associado aos vinhos cultivados dentro da propriedade vem sendo amadurecido e planejado há anos e será realizado por meio de uma parceria com a incorporadora Emais, presidida pelo empresário Edson Tarraf. “Estamos na área urbana de Rio Preto, em uma região vocacionada para o setor imobiliário. Por que não explorar isso? Rio Preto precisa crescer e, para continuar a crescer, precisamos urbanizar essa área, que já está pronta e amadurecida para ser habitada”, argumenta Paulo Girardi. 

Todo o processo de urbanização foi desenvolvido há dois anos pelo escritório do arquiteto e ex-governador do Paraná Jaime Lerner e terá três etapas, com foco no protagonismo ambiental, característica principal dos projetos do renomado urbanista.

A primeira etapa tem início previsto para o primeiro semestre de 2022. “Teremos um bairro planejado, com 1.730 terrenos de 200 a 380 metros quadrados, que serão divididos em casas, prédios e área comercial, além de uma estrutura ‘walkability’, voltada a benefícios para a saúde, com pista de caminhada e ciclismo”, detalha Paulo.

Numa segunda etapa, ocorrerá a adaptação do bairro em torno do vinhedo, para que quem adquirir um lote possa acompanhar diariamente o dia a dia da viticultura, dos cuidados à produção do vinho. E a terceira etapa, ainda em discussão, compreende transformar ou não parte de área em um condomínio fechado.

O empresário acredita que a pandemia levou as pessoas a se questionaram sobre como viver e como morar, o que casa com o objetivo do novo espaço, já amplamente difundido no sul do País, em outros projetos de Lerner. “Compreende um modo de viver agradavelmente, em um bairro onde as pessoas possam viver de maneira integral, com todos os serviços necessários no dia a dia, evitando deslocamentos, tendo próximo tudo o que cada família precisa, conferindo assim mais qualidade de vida, menos estresse, pequenos detalhes que formam o todo. Nosso propósito é que quem venha morar aqui possa viver bem e melhor”, diz o empresário.

O projeto prevê avenidas e ruas mais largas, canteiros centrais maiores e todos os benefícios de um bairro inteligente, com segurança eletrônica. “Já temos várias pessoas interessadas, inclusive em dois lotes ao mesmo tempo, não vai ser um bairro exclusivo para ricos e milionários, será um bairro acessível”, garante o empresário.

Fotos: Elton Rodrigues




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