Cultura





Sesi Rio Preto tem instalação com esculturas que propõe selfie com personagens de épocas distintas


De Gigi Manfrinato com curadoria de Diana Vaz, a exposição MySelfie, que integra o projeto Espaço Galeria do SESI-SP, ocupa o foyer do Teatro do SESI São José do Rio Preto entre 3 de junho e 30 de julho de 2022. A visitação acontece de terça a sábado, das 9h às 20h, exceto feriados, com reservas pelo Meu Sesi. Agendamento escolares e de grupos podem ser feitos de terça a sexta, das 9h às 11h e das 15h às 17h.

Ao longo de sua carreira, a artista visual paulistana Gigi Manfrinato desenvolveu uma técnica de esculturas em tamanho real utilizando argila, molde de gesso e empapelamento com jornal, além de tecido, cimento e cola. Para MySelfie, ela criou 23 esculturas que apresentam personagens em tamanho real de diferentes épocas históricas posando para uma foto coletiva.
 

Nesta selfie estão presentes um senhor de cartola de 1880, um hippie da década de 1960, um jovem da geração Z e muitas outras figuras, brincando com a temporalidade e promovendo a discussão sobre o retrato fotográfico e sua transformação com o passar dos anos.

Com textos curtos sobre a história da fotografia e uma sintética linha do tempo, Gigi nos convida a participar de sua instalação disponibilizando roupas, adereços e também banquinhos estrategicamente posicionados que podem ser usados pelo público para fazer parte desta grande selfie.

“Apresento de forma lúdica um recorte histórico de como as pessoas foram retratadas ao longo do tempo e a fotografia se desenvolveu. O público pode interagir com as obras, ressignificando o trabalho por participar dele e modificá-lo. Brinca-se, também, com o próprio conceito de representação, tanto da obra escultórica quanto das fotografias digitais”, conta a artista.

O fenômeno da selfie na contemporaneidade também é abordado na instalação. “Queremos trazer a discussão sobre a revolução tecnológica, que possibilitou o acesso da população aos smartphones e mudou o conceito de autorretrato”.

A curadora Diana Vaz cita Susan Sontag: “Em seu livro Sobre Fotografia, o poder da imagem tem como propulsor a metáfora. A instalação propõe uma série de questionamentos: o que se quer representar? Para quem? Como a representação intencional impressa pelo fotografado / fotógrafo chega ao espectador? Já se discutia a diferente intencionalidade entre o fotógrafo, que realiza a foto, e o fotografado, o representado, mas, agora que uma única pessoa é o ator e o sujeito da ação, o que muda em nosso modo de interagir com a fotografia e suas representações?”.

Para além da dicotomia entre fotografia documental e artística, que foi fartamente discutida no século XX, propõe-se também problematizar os limites entre público e privado, cada vez mais diluídos na atualidade. “O privado, ao se tornar público, torna-se também um item de consumo, como Barthes intuía em A Câmara Clara. E isso esbarra numa intenção de imprimir completude num momento de felicidade. Quantas são as selfies postadas em redes sociais que pretendem traduzir esse hiato de prazer? Ao tomar a realidade para si, transforma-se a realidade em uma sombra, um vir a ser nunca concretizado. Não à toa ressoa a máxima ‘a grama do vizinho é sempre mais verde’. As representações postadas incansavelmente nas redes criam essa ilusão e, quando a fotografia se esvazia de sentido, é só postar mais uma série com a rapidez de um clique”, conclui Gigi Manfrinato.

SOBRE A ARTISTA
Gigi Manfrinato 
(1962) formou-se na Faculdade de Belas Artes em 1981, onde conheceu Sandra Lee, que foi sua parceira de trabalho até seu falecimento em 2018. Juntas desenvolveram e aprimoraram uma técnica de esculturas em tamanho real utilizando argila, molde de gesso e empapelamento com jornal, além de tecido, cimento e cola. Realizaram diversas intervenções, entre elas no Madame Satã (anos 1980), na galeria Consolação (Everybares, 1991), em um ônibus que viajou pelo estado de São Paulo (One Bus, 1994), em unidades do Sesc (Eita Jennys e Suas Stray Backs, 2011) e Sesi-SP (Fila, 2013, e Baile, 2015).

SOBRE A CURADORA
Diana Vaz (1979) é mestra em artes visuais pela Unesp e especialista em história da arte pela Faap. Trabalhou nas áreas de curadoria, programação cultural e educativo em diversas instituições culturais. Em 2021 criou a galeria virtual Pequena Galeria, dando espaço para a produção de artistas emergentes de diferentes regiões do país. Como curadora independente, realizou recentemente as exposições Identidades: Futuros Ancestrais (Balada Literária, 2021) e Resistência e Memória (Festival de Fotografia de Paranapiacaba, 2021).

Fotos: Divulgação




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