Rio Preto




Primeira mulher a conduzir o Fórum de Rio Preto, Luciana Cassiano Zamperlini Cochito fala sobre a presença feminina na Justiça e a luta por direitos iguais


Em junho do ano passado, a juíza da 1ª Vara Criminal, Luciana Cassiano Zamperlini Cochito, 47 anos, tornou-se a primeira mulher a conduzir o Fórum de Rio Preto.

Casada e mãe de dois filhos, ela atua na magistratura há mais de 20 anos. A carreira começou um ano depois de se formar em Direito pela Unesp de Franca (SP). 

Trabalhou como juíza substituta em Rio Preto e, em seguida, assumiu como juíza titular em Mirandópolis (SP), por dois anos e meio; e em Fernandópolis (SP), por dez anos – comarcas nas quais foi diretora dos respectivos Fóruns. Voltou a Rio Preto há oito anos e meio.

Com a morte do juiz Paulo Marcos Vieira, então diretor do Fórum da cidade, seu nome foi indicado pelos magistrados locais para substituí-lo e acatado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). 

Hoje, Luciana é responsável pelos três prédios do Fórum da cidade – um com as Varas Criminais; outro com as Varas Cíveis e de Fazenda Pública; e um terceiro com as Varas de Família, a Vara da Infância e Juventude e a Vara do Juizado Especial Cível. Ao todo, são cerca de 540 profissionais sob seu comando – a maioria distribuída em cartórios. 

Confira a entrevista exclusiva que juíza concedeu para a É RIO PRETO, em que ela fala sobre sua rotina, metas e desafios.

 

É RIO PRETO - Qual sua principal conquista até o momento?

Luciana Cassiano Zamperlini Cochito - Considerando a diretoria do Fórum, posso dizer que é a criação e a instalação da Vara da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, que ocorreu em novembro de 2021. Era um anseio muito antigo da comarca e meu, que sou juíza criminalista.

 

ERP - Há planos para criação de novas Varas? 

Luciana - A ideia é realmente verificar as demandas e solicitar novas Varas. Mas não dá para falar que será essa ou aquela, porque está tudo muito incipiente ainda. Além disso, a criação e a instalação de novas Varas não dependem só de nós, mas, sim, da presidência do Tribunal de Justiça. 

 

ERP - Quais as metas e os desafios para 2022?

Luciana - A meta geral, e também o principal desafio, é sempre a prestação de serviços públicos de qualidade. Como meta específica, pretendemos reformar o prédio do Centro. O projeto foi iniciado há alguns anos e ficou parado por contingenciamento de verbas, mas foi retomado e está na fase final. Terminados os estudos técnicos, vamos iniciar as tratativas para entrar em licitação e realizar a reforma efetiva. 

 

ERP - Há quanto tempo existe esse prédio?

Luciana: A Comarca de São José do Rio Preto existe desde 1904; já o prédio do Centro foi inaugurado em 1966. 

 

ERP - Em sua opinião, por que demorou tanto tempo até que uma mulher assumisse o comando da Justiça estadual na cidade?

Luciana - Nós temos uma carreira longa. Geralmente, iniciamos em cidades menores, e Rio Preto sempre foi uma comarca de final de carreira.  Paralelamente, as mulheres não estudavam e não assumiam cargos de comando. A primeira juíza do estado de São Paulo é da década de 1980.  Então, as mulheres demoraram mais a se tornar juízas titulares aqui. Até hoje, a maioria dos magistrados são homens.

 

ERP - Qual a importância de ser uma mulher de destaque em seu setor de atuação?

Luciana - A luta da mulher para conseguir postos de destaque na sociedade é contínua, árdua e necessária. Não somos mais nem menos, nem melhores nem piores: somos iguais. Ser a primeira mulher diretora do Fórum de Rio Preto é importante e simbólico. Ao mesmo tempo em que aumenta minha responsabilidade, fico lisonjeada de as pessoas me verem como exemplo para outras mulheres nessa busca por igualdade. 

 

ERP - Quais suas referências femininas no Judiciário brasileiro? 

Luciana - Como eu disse antes, as mulheres demoraram para entrar no Judiciário – até pela questão do machismo, mesmo. Então, como referência, até por ter sido a primeira ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), eu citaria Ellen Gracie. Ela é um exemplo de que as mulheres podem e chegam lá. 

 

ERP -  Enquanto mulher, quais suas principais lutas?

Luciana: Minha principal luta é pela igualdade de gênero. Nós somos iguais e é assim que deveríamos ser tratadas. Não deveria ser necessária uma Vara da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. 

 

ERP - Qual sua mensagem para homens e mulheres no Dia Internacional da Mulher?

Luciana: Para as mulheres, que continuem acreditando e lutando para conquistar seus sonhos. E, para os homens, que entendam que somos iguais. É só isso que queremos, sermos respeitadas como mulheres. 

 

Fotos: Elton Rodrigues
Produção Audiovisual: Comunic Comunicação Estratégica




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