Economia




Construção civil terá desafios para retomada em Rio Preto


São José do Rio Preto, 7 abril de 2021 - A paralisação temporária da construção civil em Rio Preto, imposta pelo lockdown, trouxe um cenário incerto para o setor que tem sido um dos pilares de sustentação da economia durante a pandemia. Mesmo depois da Instrução Normativa publicada pela Prefeitura no último dia 23 de março, autorizando o retorno parcial, e da substituição do lockdown pela fase emergencial, ainda há uma série de desafios a serem resolvidos que podem penalizar severamente a indústria a curto e médio prazo, como explica o diretor da Regional de Rio Preto do SindusCon-SP, o engenheiro Rafael Luis Coelho.

Segundo Coelho, apesar da flexibilização, será preciso mobilizar novamente equipes, máquinas, equipamentos e materiais que têm logísticas distintas.

“A indústria da construção civil é como um transatlântico: não é simples de mover. Haverá casos de obras paralisadas que poderão exigir semanas para a remobilização, pois muitos operários e empresas terceirizadas foram trabalhar em outras cidades, cujo trabalho estava liberado. Parte dessas equipes certamente não retornará aos canteiros de obra, exigindo novos recrutamentos, seleção e contratação”, explica o diretor regional do SindusCon-SP.

A construção civil ficou totalmente parada em Rio Preto entre os dias 17 e 23 de março, após a publicação do Decreto Municipal 18.861/21, que estabeleceu lockdown no município.

Segundo o SindusCon-SP, a medida resultou na paralisação de dezenas de obras na cidade, mas esse impacto pode ser ainda maior, uma vez que ela abrangeu não apenas as construtoras, mas também obras particulares.

A Normativa autorizou a volta dos trabalhadores apenas em obras definidas como emergenciais. A emergencialidade deveria ser justificada por declaração do engenheiro responsável e fixada no local para apresentação à fiscalização. As construtoras deveriam ainda fornecer o transporte aos trabalhadores que não tivessem veículo próprio, pois não seria permitido uso do transporte coletivo.

De acordo com Coelho, a retomada das atividades na construção civil em Rio Preto foi resultado das propostas e compromissos firmados pelo Sinduscon-SP com a Prefeitura.

Negociações
Desde a publicação do decreto, o SindusCon-SP, por meio de sua diretoria em Rio Preto, abriu o canal de diálogo com a Prefeitura, apresentando pesquisas e dados científicos que comprovam o baixo índice de transmissão do novo coronavírus nos canteiros de obras, graças aos protocolos rígidos de segurança adotados desde o início da pandemia.

O sindicato também demonstrou que a suspensão, se mantida por mais tempo, traria impacto social e econômico imediato para os trabalhadores e suas famílias.

“A paralisação por tempo superior ao transcorrido poria em risco a capacidade do trabalhador conseguir alimentar sua família. Na construção civil, em muitos casos, esse trabalhador depende da remuneração semanal, que é praxe do setor, e não possui reservas financeiras para prover a a si e aos seus. Sem trabalho, o dinheiro dele acaba em questão de dias”, alerta Coelho.

Já em relação às empresas, também há risco de danos irreparáveis, com perda por deterioração de materiais e serviços iniciados, aluguéis usados para alojar equipes de operários e profissionais especializados, custos com desmobilizações de pessoas e máquinas, além de multas e juros de financiamento por atraso nos contratos, entre outros.

Segurança
Considerado serviço essencial, a construção civil não havia paralisado até então nesta pandemia. Intensificando os protocolos de saúde e segurança - que já eram rígidos, dadas as características desta atividade -, o setor tem conseguido evitar grandes ondas de contágio, criando quase que uma blindagem à Covid-19 dentro dos canteiros de obras.

Entre as principais medidas estão higienização de equipamentos, a aferição de temperatura, uso de álcool gel, máscaras e EPIs, horários escalonados de almoço e de uso do vestiário para evitar aglomeração, além de constantes treinamentos e campanhas visando a conscientização.

E o resultado tem aparecido. Segundo os dados mais recentes de pesquisa da Abrainc, realizada entre 17 e 19 de março com 40 das maiores empresas do setor, dos quase 70 mil trabalhadores, apenas 376 haviam sido infectados (0,5%) e seis tiveram de ser internados (1,5% dos infectados).

O número de óbitos na construção civil (14), desde o início da pandemia, é o menor entre todos os setores, correspondendo a 0,02% do número de trabalhadores.

Um outro estudo, conduzido pelo SindusCon-SP junto ao Seconci-SP, intitulado “Conhecendo as ações das construtoras paulistas no combate à Covid-19”, mostrou, em sua última atualização - realizada entre os dias 4 e 10 de março e envolvendo 42 empresas, 531 obras e cerca de 35 mil trabalhadores -, que somente 0,45% dos trabalhadores foram afastados por suspeita da doença, e 0,23% afastados por confirmação da Covid-19.

“Os níveis de contágio por coronavírus dentro dos canteiros de obras são mínimos. Mas com as obras paralisadas os colaboradores perdem essa ‘rede de proteção’, circulam mais, aumentam a chance de contrair a doença e disseminá-la, sobrecarregando ainda mais o sistema de saúde”, alerta Coelho.

Empregos
Apesar da forte desaceleração registrada por vários setores, o que contribuiu para uma retração de 4,1% do PIB em 2020, e uma taxa média anual recorde de 13,5% de desemprego, a construção civil tem ajudado a manter a economia viva, destacando-se como um dos setores que mais têm gerado emprego e renda no País durante a crise.

Dados do CAGED referentes ao número de empregos com carteira assinada criados em fevereiro mostram que a construção civil criou 43.469 vagas, 10,8% do total de postos de trabalho formal registrados no mês passado em todo o País. Em janeiro, esse índice foi de 17%.




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